quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Da série de textos que não precisam de títulos.

Sai do metrô, pega a esquerda, esquerda de novo e pronto: casa dele. Sempre a mesma agonia por dentro até ele atender o interfone. Abria a porta como quem nada queria, me beijava os olhos, acariciava o meu rosto e fazia o café ou qualquer coisa pra tapear os primeiros minutos de um encontro.
Durante o devaneio da cafeína, conversávamos, sempre olhando nos olhos do outro, sempre sabendo de que aquilo tudo era muito bom. As palavras eram interrompidas por beijos que viravam carinhos que viravam tropeços pela casa que viravam apertos que viravam roupas pelo chão e fim.
Eu só tinha certeza do que iria acontecer quando ele tirava os óculos. Isso era um sinal de que ele estava se libertando de algo pra gente virar um.
Mas hoje eu saí do metrô, peguei a esquerda, esquerda de novo e pronto: casa dele. Ele abriu a porta como quem algo queria, beijos as minhas mãos e me convidou para sentar. Foi até a mesa, virou para mim e disse que precisava conversar algo urgente comigo. Gelei, pensei em começar a falar, mas senti que não devia. Ele me deu as costas, olhou para mim novamente, virou e não tirou os óculos. Nesse momento me dei conta de que já não era mais a nossa hora. Mas como as coisas sempre nos surpreendem, ele chegou mais perto e acariciou os meus ombros. Eu comecei a ficar mais confusa até que me dei conta de que ele deixou os óculos caírem. Não disse nada. Apenas olhou pra mim e deixou tudo acontecer.

4 comentários:

Vitor Andrade disse...

Quero beber dessa fonte. rs
Continuo seu fã.

Marina disse...

Adorei muito o texto! Vontade de ler várias vezes e colocá-lo em prática (: Espero ler mais! Luz, bjs

doiseles. disse...

Nossa. Me senti dentro do texto. E fiquei com vontade de vivê-lo mais.

Alile Dara disse...

AVÊMARIA, mulher. que texto mais lindo é esse?
tô apaixonada. a p a i x o n a d a!